A Fé da Mulher Cananéia ou Sírio - Fenícia
Prepara-se. O que você vai ler nesse estudo irá lhe surpreender. Vamos a narrativa descrita pelos evangelistas Mateus e Marcos. Ambos descrevem de modo idêntico o encontro de Jesus com a mulher cananéia.
“Partindo Jesus dali, retirou-se para os lados de Tiro e Sidom. E eis que uma mulher cananeia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada!. Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa das crianças. Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.” Mateus 15:21-28. Jesus pareceu ignorar o clamor da mulher gentia, nascida em um lugar reconhecidamente idolatra, por esse motivo, os judeus se referiam àquele povo como cachorros, imundos, impuros. Conhecendo a história de CanãaGn 10: 1- Estes pois são os filhos de Noé: Cam, Sem e Jafé.Gn 10: 6- E os filhos de Cam são: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã. Gn 10:15- E Canaã gerou a Sidom Gn 10: 19- E os cananeus habitaram Sodoma e Gomora Dt 20:17- Destruirás totalmente os cananeus A nação de Canaã, portanto, teve inicio com o filho de Noé chamado Cam, o que foi amaldiçoado por ter zombado da nudez do pai. Por que cananeus são chamados também de Sirio-fenícios? Porque esse povo dominou a costa da Fenícia, especificamente a cidade litorânea chamada Sidom (primogênito de Canaã). Preste atenção a essa escultura cananeia, encontrada por arqueólogos em uma faca do período pré dinástico. É considerado o objeto mais antigo que se tem notícia. Atualmente está em exposição no museu Louvre. O objeto foi nomeado de "Gebel Al Arak" (nome do local onde foi encontrada, no alto Egito) A escultura representa um culto aos deuses cananeus. Os leões estão sempre presentes na mitologia egípcia que se alastrou entre os povos considerados pagãos e/ ou gentios. Na cena inferior da escultura, há dois cães usando coleiras. Representam as constelações de Big e do Little Dog, próximas de Vênus. Cachorros, portanto faziam parte do culto cananeu que exaltava a astrologia. Talvez esse seja um dos motivos que levou os cananeus a serem chamados de "cachorros" pelos judeus. Eles literalmente cultuavam cachorros. O Pão dos filhosCananeus eram gentios, judeus filhos. A resposta de Jesus para a mãe desesperada, traduzia um impedimento para o milagre? Seriam os cananeus indignos, impuros, a ponto de não merecerem pão, mas migalhas? Ou seja Promessas, Palavra de Deus, mas restos?O milagre realizado na filha da mulher cananeia, é registrado em Marcos, como sendo o primeiro destinado a um gentio. Em Mateus, contudo antes da cananeia, Jesus cura o servo de um centurião romano e após a cura, elogia a fé dele dizendo: "Digo-vos portanto que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino de Deus" Mt 8:11. Jesus destina um lugar de honra também para gentios: sentados à mesa com Abraão, comendo do Pão. Os acontecimentos não estão organizados nos Evangelhos de modo cronológico, por isso, é impossível afirmar se a mulher cananeia foi a primeira gentia a receber um milagre de Jesus, ou teria sido o centurião romano? O certo é que em momento algum nos Evangelhos, Jesus discrimina pessoas por etnia ou qualquer outra característica, pelo contrário: Ele falou com uma samaritana e prostituta, quando ninguém dava o devido valor a ela. Judeus não falavam com samaritanos Jo 4: 1-30. Não atendendo prontamente aquela mulher, Jesus estava doutrinando tanto discipulos quanto a própria cananeia. Os discipulos aprenderiam a não fazer acepção entre "ovelhas e cachorros" entre judeus e gentios: "Deus não faz acepção de pessoas" At 10:34. Mulher, os pães são destinados aos filhos! Entendo que a mulher cananeia tinha um problema: não priorizava a família. Sua filha, ainda criança, estava possessa, um evidente sinal de que havia algo errado com a filha, mas primeiramente com os pais. Descrita pela própria mãe como "violentamente atormentada", a criança havia ficado em casa sob os cuidados de terceiros, enquanto ela (a mãe) buscava ajuda em Jesus. A mãe, sempre escolhera o lado de fora de casa à companhia dos filhos, nesse dia e momento critico, por um nobre motivo (mais uma vez) escolheu sair e deixar alguém com a filha. Não pude deixar de comparar a atitude da mãe, com a do centurião romano que vendo o seu servo doente, preferiu ficar em casa, ao lado dele, dando assistência e pedir a um soldado que fosse ao encontro de Jesus. A história do centurião, transmite algo de bom sobre relacionamentos. A atitude de Jesus para com a mulher cananeia também já havia sido tomada, Ele jamais a rejeitaria, Ele nunca abandona um clamor vindo de um coração sedento. Aquela mãe estava desesperada, porém precisava aprender. Fazer o milagre e despedi-la seria consentir que ela continuasse na mesma prática de neglicenciar seu lar. "Mulher, não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos" Mulher, cuida primeiro dos seus, depois dos de fora. Esse diálogo pareceu muito obvio para os discípulos, mas Jesus queria arrancar algo mais da mulher, Ele queria fazê-la compreender que não lhe bastaria receber o milagre, mas mudar a direção de sua vida, seu comportamento. E ela entendeu! Parecia improvável que entenderia algo tão profundo, mas em sua resposta estava a revelação de sua fé, daquilo que perscruta o Espírito Santo, que transcende o natural! "Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos. Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E desde aquele momento, sua filha ficou sã" Sim, Senhor, a partir de hoje minha filha se assentará à mesa a comer do pão, as migalhas serão para os cachorrinhos. Mateus diz que quem se assenta à mesa a comer pão, são as crianças. Algumas traduções trazem "da mesa de seus donos". Marcos 15: 21-28 também diz que crianças estão à mesa comendo do pão. Por que enfatizar isso?Porque ao final do diálogo entre Jesus e a cananéia, quem senta à mesa a comer pão é a menina, a criança que estava endemoninhada. A palavra "cachorrinhos" no original grego, diz respeito a cachorro de estimação. Não são cachorros abandonados, de rua, mas mansos e domésticos. Kunarion - cachorrinhos mantidos em casa como animais de estimação. Foi uma forma carinhosa , usada por Jesus e não de agressão ou desdém. Os cachorrinhos, eram as muitas pessoas que recebiam atenção privilegiada da mulher cananeia. Não é errado sermos hospitaleiros e tratarmos bem os que não são de nossa família. Pelo contrário, a hospitalidade é recomendada, em Hebreus 13:2 diz: "Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos." Porém, a família não deve ser colocada em segundo ou último plano, em detrimento de outros: 1Tm 5:8 "Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel" A Fé da cananeiaÉ certo que ela precisou se humilhar para ser exaltada . Precisou reconhecer suas falhas, experimentar o silêncio de Deus para perceber que o encontro com Jesus tinha o objetivo de transformar não apenas a vida de sua filha, mas dela própria e de seu lar.Correr atrás de Jesus e reconhecer que Ele tem poder para fazer milagres, não é suficiente para encontrar a salvação e viver de forma vitoriosa. É preciso receber Jesus no coração, compreendendo o que Ele quer de nós, e obedecer. Nenhuma fraqueza encontrada em nós deve ser motivo de vergonha para buscarmos a Deus, pelo contrário. Saibamos que Ele não rejeita os fracos e imperfeitos, mas os recebe com amor capaz de transformá-los em fortes: "Porque o Senhor é a força de seu povo" Sl 118:14. Diante do silêncio de Deus ou de uma resposta inesperada, permaneçamos firmes, confiantes nos propósitos do Senhor. Se a mulher tivesse se intimidado, desisitido, não teria voltado para casa e encontrando sua filha liberta, não teria ela mesmo sido transformada. Com Jesus no coração as mudanças acontecem. Nem sempre da forma e no tempo que queremos, mas como precisamos. Estamos destinando nossos pães, aos filhos ou aos animais de estimação? Quem são nossos "cahorrinhos" ? Eles estão assentados à mesa ou comendo das migalhas? Nosso pão: tempo, força, fé, trabalho ... está sendo para Deus e a família ou para "os cachorrinhos"? Cachorrinhos aqui não é uma questão de nacionalidade, mas de prioridades. Em Cristo. |
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
A simbologia dos vasos na Bíblia Sagrada
No original do Novo Testamento a palavra vaso “skênòs”, é usada 22 vezes, umas literalmente, outras em sentido figurado.
Literalmente, no plural, pode referir-se a bens, propriedades, móveis. No singular, é um objeto: um receptáculo, um jarro, um prato, uma ferramenta, um equipamento. Vaso é também um navio.
Neste caso, há uma referência ao navio em que Paulo viajou para Roma, navio esse que veio a naufragar (Atos 27.17). Temos também o vaso que desceu do céu, na visão de Pedro em Jope: "... um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas..." - Atos 10.11.
De tudo isto lemos no Novo Testamento: de vasos de ouro, de prata, de pau, de barro, de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro, de mármore e de marfim. Lemos de vasos jarrões, de vasos móveis, de vasos bens, de vasos navios, de vasos sacos.
Mas há também vasos vivos. Este é o sentido figurado da palavra.
Vejamos:"Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro, uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idóneo para uso do Senhor e preparado para toda a boa obra" - 2ª Timóteo 2.20-21.
Sublinhei alguém será barro, pois aqui já não se trata de vasos como objetos, mas de pessoas que são vasos. Tratando-se duma metáfora, se a quisermos interpretar deveremos perguntar: para que serve? Para que serve um vaso?
Um vaso pode servir só como ornamento, só para ser visto. Mas em termos de utilidade prática, um vaso serve como recipiente, serve para conter algo, seja uma planta, um líquido ou uma jóia. Ora, o texto acabado de citar fala-nos de vasos diferentes, uns honrosos e outros desonrosos. A diferença entre os vasos reside naquilo que eles contêm. Não naquilo que aparentam.
Ao pé da cruz, no Calvário, havia um "…vaso cheio de vinagre…" (João 19.29). Esse vaso bem pode representar uma pessoa (vaso) ácida, cheia de amargura, ou seja, um "vaso de ir", em contraste com um "vaso de misericórdia" que se refere àquelas pessoas que têm dentro delas um tesouro. Esse tesouro é Jesus.
Diz Paulo: "...temos este tesouro em vasos de barro..." (2ª Coríntios 4.6-7.
Vasos de barro são pessoas frágeis, pobres, indignas. Mas pessoas essas que foram purificadas pela aspersão do sangue de Cristo (Hebreus 9.21-22), isto é, regeneradas, promovidas duma situação de vergonha e miséria a uma posição de honra e dignidade.
Estes vasos somos nós, a quem Jesus arrancou da lama, limpou e quer usar. Vasos talvez quebrados em pedaços, por uma vivência destrutiva, mas em que o Senhor reúne os fragmentos (cacos) e reconstitui o vaso, pela ação do Espírito Santo. Ele faz isso por nos amar e para nos usar.
O Senhor tem um propósito a respeito destes vasos que somos nós. Quer que sejamos Seus instrumentos "...para dar a conhecer as riquezas da Sua glória..". - Romanos 9.23-24.
Jesus foi ao encontro de Saulo e transformou a sua vida. Ao falar dele a Ananias, o mesmo Jesus disse: "Vai porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome aos gentios, e aos reis e aos filhos de Israel" - Atos 9.15,18. Para levar, não só para conter ou guardar. Um vaso que leva o Nome de Jesus a outros.
Quando Jesus expulsou os vendilhões do templo, não consentiu que alguém levasse algum vaso dele. Também Ele não quererá que os Seus vasos humanos, Seus servos, sejam roubados, sejam profanados, sejam desviados do fim para que os destinou.
Na parábola da candeia, Jesus disse: "E ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso..." - Lucas 8.16.
E que acontece aos vasos-pessoas que Ele chamou a Si, para a Sua obra? Servem para erguer bem alto a luz de Cristo, ou para a tapar? Manifestam-se ousadamente ao lado de Jesus e dos que Ele quer recuperar, quer erguer da miséria e da solidão?
Ou envergonham-se e demitem-se?
Somos vasos. Vasos vivos. Vazios ou ocupados? E se ocupados, o que há dentro de nós? Ódio, amargura, indiferença, acomodação, egoísmo? Somos vasos cheios de nós próprios, vasos de barro cheios de barro? Que, ao contrário, sejamos vasos possuídos e habitados por Jesus, por Ele purificados e usados para ir ao encontro dos cansados e oprimidos, de todo os que sofrem e têm uma existência vazia, levar-lhes a Boa Nova libertadora, o amor activo, como instrumentos de Deus.
Autoria indefinida.
E.A.G.
Posted by Eliseu Antonio Gomes on terça-feira, fevereiro 09, 2010 with 11 comments
"Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus e não de nós" - 2ª Corintios 4.7.
Confira: Lições Bíblicas 1º Trimestre de 2013; Elias e Eliseu; lição 9: Há um milagre em sua casa
Confira: Lições Bíblicas 1º Trimestre de 2013; Elias e Eliseu; lição 9: Há um milagre em sua casa
No original do Novo Testamento a palavra vaso “skênòs”, é usada 22 vezes, umas literalmente, outras em sentido figurado.
Literalmente, no plural, pode referir-se a bens, propriedades, móveis. No singular, é um objeto: um receptáculo, um jarro, um prato, uma ferramenta, um equipamento. Vaso é também um navio.
De tudo isto lemos no Novo Testamento: de vasos de ouro, de prata, de pau, de barro, de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro, de mármore e de marfim. Lemos de vasos jarrões, de vasos móveis, de vasos bens, de vasos navios, de vasos sacos.
Mas há também vasos vivos. Este é o sentido figurado da palavra.
Vejamos:"Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro, uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idóneo para uso do Senhor e preparado para toda a boa obra" - 2ª Timóteo 2.20-21.
Sublinhei alguém será barro, pois aqui já não se trata de vasos como objetos, mas de pessoas que são vasos. Tratando-se duma metáfora, se a quisermos interpretar deveremos perguntar: para que serve? Para que serve um vaso?
Um vaso pode servir só como ornamento, só para ser visto. Mas em termos de utilidade prática, um vaso serve como recipiente, serve para conter algo, seja uma planta, um líquido ou uma jóia. Ora, o texto acabado de citar fala-nos de vasos diferentes, uns honrosos e outros desonrosos. A diferença entre os vasos reside naquilo que eles contêm. Não naquilo que aparentam.
Diz Paulo: "...temos este tesouro em vasos de barro..." (2ª Coríntios 4.6-7.
Vasos de barro são pessoas frágeis, pobres, indignas. Mas pessoas essas que foram purificadas pela aspersão do sangue de Cristo (Hebreus 9.21-22), isto é, regeneradas, promovidas duma situação de vergonha e miséria a uma posição de honra e dignidade.
Estes vasos somos nós, a quem Jesus arrancou da lama, limpou e quer usar. Vasos talvez quebrados em pedaços, por uma vivência destrutiva, mas em que o Senhor reúne os fragmentos (cacos) e reconstitui o vaso, pela ação do Espírito Santo. Ele faz isso por nos amar e para nos usar.
O Senhor tem um propósito a respeito destes vasos que somos nós. Quer que sejamos Seus instrumentos "...para dar a conhecer as riquezas da Sua glória..". - Romanos 9.23-24.
Jesus foi ao encontro de Saulo e transformou a sua vida. Ao falar dele a Ananias, o mesmo Jesus disse: "Vai porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome aos gentios, e aos reis e aos filhos de Israel" - Atos 9.15,18. Para levar, não só para conter ou guardar. Um vaso que leva o Nome de Jesus a outros.
Quando Jesus expulsou os vendilhões do templo, não consentiu que alguém levasse algum vaso dele. Também Ele não quererá que os Seus vasos humanos, Seus servos, sejam roubados, sejam profanados, sejam desviados do fim para que os destinou.
Na parábola da candeia, Jesus disse: "E ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso..." - Lucas 8.16.
Ou envergonham-se e demitem-se?
Somos vasos. Vasos vivos. Vazios ou ocupados? E se ocupados, o que há dentro de nós? Ódio, amargura, indiferença, acomodação, egoísmo? Somos vasos cheios de nós próprios, vasos de barro cheios de barro? Que, ao contrário, sejamos vasos possuídos e habitados por Jesus, por Ele purificados e usados para ir ao encontro dos cansados e oprimidos, de todo os que sofrem e têm uma existência vazia, levar-lhes a Boa Nova libertadora, o amor activo, como instrumentos de Deus.
Autoria indefinida.
Fonte: Artigo publicado por Fabricia Silva Lêwi com o título Vasos de Barros – Eu? na comunidade Assembleia de Deus no Brasil (Orkut).
E.A.G.
sábado, 25 de maio de 2013
Jesus Cristo, um Mito, um Homem da História?Introdução
Nenhum personagem fora tanto escrutinado como o homem de Nazaré; cientistas, arqueólogos, paleontólogos, antropólogos, historiadores, sociólogos, psicólogos, teólogos, ateus, agnóstico... Enfim, todos querem comentar sobre esse personagem chamado Jesus! Uns para abordar sua importância sociológica e o teor de suas mensagens, outros para absorver sua teologia e ensinamentos. Entretanto, os que mais chamam atenção e batem recordes de vendas de livros e revistas, são aqueles que querem desmistificar o homem Jesus ou aqueles que arvoram a não existência do Cristo. A mídia atual sabe que, apesar da morte de Deus ter sido anunciada pelos iluministas, o mundo está cada vez mais voltado à religiosidade e ao espiritualismo, por isso as abordagens sobre o tema se tornam cada vez mais acirradas e controvertidas.
Um desses autores que tem batido recordes de vendas é a escritora K. Armstrong, ela afirma o seguinte sobre a existência de Jesus:
"Sabemos muito pouco sobre Jesus. O primeiro relato mais abrangente sobre sua vida aparece no evangelho segundo Marcos, que só foi escrito por volta do ano 70, cerca de 40 anos depois de sua morte. Aquela altura, os fatos históricos achavam-se misturados a elementos míticos... É esse significado, basicamente, que o evangelista nos apresenta, e não uma descrição direta e confiável" (08).
Nesse escopo, no qual procurarei mostrar a historicidade de Cristo, utilizarei fontes não só de autores cristãos, mas principalmente de autores seculares e de credibilidade, além de documentos reconhecidos como provas comprobatórias disponíveis em grandes bibliotecas. O Que Seria Um Personagem da História?No sentido mais simples da palavra, um indivíduo é um personagem da história quando:
A Problemática da FonteO escritor secular Mário Curtis Giordani comenta o seguinte sobre essa problemática: Sobre as origens do Cristianismo, de modo especial sobre a vida de Cristo e sua doutrina, as fontes, por excelência, são, primeiramente, os livros do Novo Testamento, entre os quais podemos pôr em relevo as epístolas paulinas e os quatro evangelhos. Para um conhecimento mais aprofundado da mentalidade religiosa dominante na Palestina nos tempo de Cristo, constituem fontes de primeira ordem os famosos manuscritos descobertos a partir de 1947 nas plagas inóspitas do Mar Morto. Um terceira classe de fontes referentes às origens cristãs, encontramo-las em escritos de autores pagãos como Plínio - o Jovem, Tácito, Seutönio e na obra do escritor judeu Flávio Josefo... Quanto aos livros do Novo Testamento, em geral, e aos Evangelhos, em particular, ao focalizarmo-los como fontes históricas, surge logo a interrogação: até que ponto tais escritos, impregnados de espírito sobrenatural, contendo não poucos relatos miraculosos, podem ser considerados como fontes fidedignas para uma reconstituição científica do passado? Ante essa interrogação, vêm-nos à mente as palavras do conhecido historiador Francês Joseph Calmette: . O historiador não pode, portanto nutrir idéia preconcebida contra qualquer espécie de fonte, antes que a mesma passe pelo crivo da mais rigorosa crítica científica. Com relação aos livros do Novo Testamento e, muito particularmente, aos quatro evangelhos, devemos observar que jamais documento algum sofreu tão cerrado exame da crítica histórica. Não há uma palavra dos Evangelhos que não tenha sido objeto de cuidadosa consideração. A autenticidade, a veracidade e a integridade substancial desses escritos têm sido sobejamente provadas... Encontramos, é verdade, algumas aparentes divergências em certas narrações contidas nos Evangelhos. Tais divergências, porém, são apenas de detalhe e para as mesmas sobram explicações dos exegetas. Do ponto de vista da crítica histórica, convém frisar que essas divergências não são, nem de longe, suficientes para infirmarem o valor do depoimento dos evangelistas... Se aplicássemos a muitas outras fontes históricas os mesmos rigores de que a crítica racionalista e até mesmo a cristã usaram no estudo dos evangelhos, um bom número de acontecimentos do passado sobre cuja autenticidade não levantamos dúvida passaria para o terreno das lendas. Ainda é W. Durant que observa: ... (1, pg. 308, 309).Jesus - Um Homem Localizado na HistóriaA atuação de Jesus deu-se na Palestina, pequena faixa de terra com área de 20 mil quilômetros quadrados, dividida de alto a baixo por uma cadeia de montanhas. A cidade de Jerusalém contava com aproximadamente 50 mil habitantes. Por ocasião das grandes festas religiosas, chegava a receber 180 mil peregrinos. A economia centrava-se na agricultura, pecuária, pesca e artesanato. O poder efetivo sobre a região estava nas mãos dos romanos, que respeitavam a autonomia interna das regiões dominadas. O centro do poder político interno localizava-se no Templo de Jerusalém. Assessorado por 71 membros do Sinédrio (tribunal criminal, político e religioso), o sumo sacerdote exercia grande influência sobre os judeus, mesmo os que viviam fora da Palestina. Para o Templo e as sinagogas convergia a vida dos judeus. E foi nesta realidade que Jesus apareceu na História dessa região. (5)Os Evangelhos dizem-nos imensas coisas sobre Jesus. Mesmo se o seu objetivo, propriamente dito, não é contar a história dia a dia e nem fazer a descrição jornalística como gostaríamos hoje de fazer. Contudo, eles são muito mais precisos do que se pensou durante muito tempo. Acontece que estão cheios de pormenores acerca das cidades e aldeias do tempo, das maneiras de viver, de falar, acerca das personagens oficiais. A história e a arqueologia confirmam que todos estes elementos são exatos, verídicos. Aliás, certos pormenores não podiam ter sido inventados ou escritos mais tarde porque certas instituições, certas práticas tinham mudado pouco tempo depois da morte de Jesus, particularmente no ano 70, ano da destruição de Jerusalém. 1900 anos depois dos acontecimentos, descobre-se que os Evangelhos é que tinham razão ao contrário do que, durante muito tempo, os historiadores julgaram que estava errado, precisamente em algumas das suas passagens: por exemplo, no Evangelho segundo S. João, considerado o mais espiritual e, portanto, o menos concreto, menos preciso, mais afastado dos tempos e dos locais, encontramos o nome de mais vinte localidades concretas do que nos outros três evangelistas. Certos números destas localidades desapareceram completamente, mas puderam ser identificadas. Só recentemente os historiadores puderam provar a sua existência... Também em dada altura se perguntou se a localidade de Nazaré não tinha sido inventada pelos Evangelhos. Porquê? Porque o Antigo Testamento e os antigos comentários hebraicos não falam dela. Críticos e jornalistas fizeram disto um romance completo. Mas, na realidade, já em 1962, uma equipa de arqueólogos israelitas, dirigida pelo professor Avi Jonah tinha encontrado nas ruínas de Cesaréia Marítima uma placa gravada em hebreu, datando do século III antes de Cristo e com o nome da aldeia de Nazaré... Em 1927, o arqueólogo francês Vincent encontrou o lithostrotos ou Gabbatha esse espaço lajeado do pretório em que Jesus esteve quando compareceu diante de Pilatos (Evangelho segundo S. João, capítulo 19, versículo 13). Quanto ao próprio Pilatos, o prefeito romano que condenou Jesus à morte e do qual não se encontrava rasto concreto ao longo de dezoito séculos (Ainda que Pilatos seja várias vezes citado pelo Historiador épico Flávio Josefo), arqueólogos italianos encontraram em 1961, também nas ruínas de Cesaréia Marítima, o seu nome gravado numa pedra com o seu título exacto: praefectus. (2). Esta averiguação a partir dos dados arqueológicos, geográficos e políticos podia ser muito mais desenvolvida. Entretanto, a falta de espaço desse escopo não nos permite nos determos mais nessa questão, mas cada um poderá compreender como o argumentado é fidedigno! Fontes Não-Bíblicas Atestam a Historicidade de Jesus
"(O sumo sacerdote) Hanan reúne o Sinedrim em conselho judiciário e faz comparecer perante ele o irmão de Jesus cognominado Cristo (Tiago era o nome dele) com alguns outros" (Flavio Josefo, Antiguidades Judaicas, XX, p.1, apud Suma Católica contra os sem Deus, dirigida por Ivan Kologrivof. Ed José Olympio, Rio de Janeiro 1939, p. 254). E mais adiante, no mesmo livro, escreveu Flávio Josefo: "Foi naquele tempo (por ocasião da sublevação contra Pilatos que queria servir-se do tesouro do Templo para aduzir a Jerusalém a água de um manancial longínquo), que apareceu Jesus, homem sábio, se é que, falando dele, podemos usar este termo -- homem. Pois ele fez coisas maravilhosas, e, para os que aceitam a verdade com prazer, foi um mestre. Atraiu a si muitos judeus, e também muitos gregos. Foi ele o Messias esperado; e quando Pilatos, por denúncia dos notáveis de nossa nação, o condenou a ser crucificado, os que antes o haviam amado durante a vida persistiram nesse amor, pois Ele lhes apareceu vivo de novo no terceiro dia, tal como haviam predito os divinos profetas, que tinham predito também outras coisas maravilhosas a respeito dele; e a espécie de gente que tira dele o nome de cristãos subsiste ainda em nossos dias". (Flávio Josefo, História dos Hebreus, Antiguidades Judaicas, XVIII, III, 3 , ed. cit. p. 254). (1, pg. 311 e 3).
Considerações Sobre a Existência de Jesus CristoPara o leitor ter uma idéia do quanto à existência de Cristo é rica em suas fontes, analisemos analogamente a biografia de Alexandre (o Grande) e Jesus. As duas biografias mais antigas sobre a vida de Alexandre foram escritas por Adriano e Plutarco depois de mais de 400 anos da morte de Alexandre, ocorrida em 323 a.C. e mesmo assim os historiadores as consideram muito confiáveis. Para a maioria dos historiadores, nos primeiros 500 anos, a história de Alexandre ficou quase intacta. Portanto, comparativamente, é insignificante saber que os evangelhos foram escritos 60 ou 30 anos (isso no máximo) depois da morte de Jesus e esse tempo seria insuficiente para se mitificar um indivíduo.Por exemplo, embora os Gathas de Zoroastro, que datam de 1000 a.C., sejam consideradas autênticas, a maior parte das escrituras do zoroastrismo só foram postas por escrito no século III d.C. A biografia pársi mais popular de Zoroastro foi escrita em 1278 d.C. Os escritos de Buda, que viveu no século VI a.C., só foram registrados depois da era cristã. A primeira biografia de Buda foi escrita no século I d.C. Embora as palavras de Maomé (570-632 d.C.) estejam registradas no Alcorão, sua biografia só foi escrita em 767 d.C., mais de um século depois de sua morte. Portanto, o caso de Jesus não tem paralelo, e é impressionante o quanto podemos aprender sobre ele fora do Novo Testamento... Ainda que não tivéssemos nenhum dos escritos do Novo Testamento e nenhum outro livro cristão, poderíamos ter um prisma nítido do homem que viveu na Judéia no século I. Saberíamos, em primeiro lugar, que Jesus era um professor judeu; segundo, muitas pessoas acreditavam que ele curava e fazia exorcismos; terceiro, algumas acreditavam que ele era o Messias; quarto, ele foi rejeitado pelos líderes judeus; quinto, foi crucificado por ordem de Pöncio Pilatos durante o reinado de Tibério; sexto, apesar de sua morte infame, seus seguidores, que ainda acreditavam que ele estivesse vivo, deixaram a Palestina e se espalharam, assim é que havia muitos deles em Roma por volta de 64 d.C.; sétimo, todo tipo de gente, da cidade e do campo, homens e mulheres, escravos e livres, o adoravam como se ele fosse Deus. Sem dúvida a quantidade de provas corroborativas extrabíblicas é muito grande. Com elas, podemos não somente reconstruir a vida de Jesus sem termos de recorrer à Bíblia como também ter acesso à informação sobre Cristo por meio de um material mais antigo do que os próprios evangelhos. (Adaptado de 7 pg. 113 e 114). ConclusãoPelo que argumentamos acima, diante de tão significativa testemunha documental, podemos afirmar que verdadeiramente Jesus Cristo é um homem da História, tanto que ele a dividiu em antes e depois dele. O pesquisador que acurar a questão sem preconceito chegará à conclusão que as provas são substanciais. As provas existem, mas quem quiser escapar a elas, escapa. Como se, afinal de contas, Jesus nos quisesse deixar a decisão de lhe conceder um lugar na história, na nossa história. Recordemos quando Ele devolveu a pergunta aos apóstolos: "E vós, quem dizeis que eu sou?". Pense nisso!Bibliografia
01 - Giordani, Mário Curtis. "História de Roma" Antiguidade Clássica II, Editora Vozes, 1968.
02 - http://www.1000questions.net/pt/ 03 - http://www.montfort.org.br/veritas/index.html 04 - Macdowell, J., "Verdades que Exigem Um Veredito" Vol. 1, Ed. Candeia, 1992, São Paulo. 05 - mccgedtb.vilabol.uol.com.br/Ged_Tubarao/Reflexoes/reflexoes01.htm 06 - Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. 07 - Strobel, Lee, "Em Defesa de Cristo", Editora Vida, 1998, São Paulo. 08 - Armstrong, K., A History of God, New York, Ballantine/Epiphany
Autor : Prof. João Flávio Martinez
É fundador do CACP, graduado em história e professor de religiões.
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
UMA ANÁLISE DOS FILMES GUERRA DOS MUNDOS
O tempo passa, o tempo voa e a depravação humana continua
numa “boa”
“...porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade...” (Gênesis 8.21b).
Permita-me começar com alguns questionamentos provocativos:
Pegue o homem depravado e coloque-o nas culturas mais
refinadas, nas melhores universidades, faça-o um poliglota, eduque-o nas
mais sofisticadas normas sociais e ele deixará de ser um depravado?
Não! Você apenas terá um depravado culto e educado.
Filme original: o “meteoro” marciano cai à distância e no primeiro plano uma igreja cristã impávida.
|
Faça uma plástica estética e deixe uma mulher depravada
extremamente linda, vista-a com as melhores grifes e ela deixará de ser
depravada? Não! Você apenas terá uma depravada bonitinha, mas ordinária.
A Bíblia ensina que desde quando Adão pecou, o ser humano
passou a ter seu desejo sempre para o mal e herdou a morte (1 Coríntios
15.22 e Romanos 5.12). Ainda do ponto de vista bíblico, a depravação é
total, inata, corre no nosso DNA espiritual, sempre existiu e existirá.
Isso explica por que um homem aparentemente “decente e de boa índole”
comete ações pífias e torpes.
Sabemos, no entanto, que a depravação nunca esteve tão explícita como
atualmente. Parece até que ela cresce em progressão geométrica em
relação a cada avanço tecnológico. A aparente pureza e ingenuidade de
meio século atrás parece ser história da carochinha.
Sem dúvida, o mundo e o comportamento humano mudaram
bastante nos últimos 50 anos. Gostaria então, de analisar essa enorme
mudança estudando duas versões diferentes de um mesmo filme. Entre a
primeira versão do filme “Guerra dos Mundos” (EUA – 1952-53) baseada no
clássico de H. G. Wells e a de Steven Spielberg (EUA – 2005), muitas
águas passaram sob as pontes das nossas vidas.
Eu não era nascido na década de 50, por isso só tive
acesso à versão original em 2005, em DVD. “Guerra dos Mundos” retrata
uma invasão marciana da Terra e a quase destruição total do nosso
planeta. Porém, neste artigo não vou comentar sobre ETs e OVNIs (minhas
colocações sobre esse tópico estão à disposição na palestra em DVD:
“Seduzidos por OVNIs e ETs”) mas sobre o comportamento humano.
Um resumo de “Guerra dos Mundos” – 1952-53
O apologista cristão Tal Brooke resumiu assim o filme:
Nas cenas iniciais, na versão de 1953 de “Guerra dos
Mundos”, um objeto ardente no céu noturno – um dos cilindros marcianos
disfarçados de meteoro – desce à distância. No primeiro plano, uma igreja solitária em uma pequena cidade do Sul da Califórnia – um presságio de justaposição.
Logo os personagens principais se aglomeram em torno desse evento – pessoas honestas e direitas que vivem entre si em franca
familiaridade e confiança. Existe uma dança de quadrilha que termina
assim que a eletricidade falha. Até os relógios de pulso ficam
paralisados. Poderia ser por causa do meteoro?
Tarde da noite, três testemunhas encarregadas de guardar o
meteoro vêem o grande topo metálico desaparafusar vagarosamente. Um
pescoço metálico se projeta para fora, como
se fosse um cobra com raios mortíferos e se agiganta sobre os homens.
Eles aproximam-se daquela coisa balançando lenços em suas mãos como um sinal de paz e são vaporizados.
Em seguida, um famoso cientista chega à cratera. A polícia
e outras pessoas estão de olho no cilindro enquanto ele esfria. Uma
atraente garota local logo junta-se ao cientista. A garota está
acompanhada do seu tio que está disposto a cooperar. Ela anuncia estar
esperando o famoso Dr. Forrester e divulga o seu conhecimento a respeito
dele. O famoso cientista, representado pelo ator Gene Barry, sem dúvida
é o Dr. Clayton Forrester, que humildemente se apresenta à garota. Ela é
surpreendida, mas rapidamente se recompõe. Muito linda, comprometida
com um tipo de dignidade feminina comum em eras passadas, Ann Robinson
representa Sylvia Van Buren, sobrinha do reverendo local, um homem muito
estimado na comunidade. [...]
Após o abrigo militar, do lado de fora da cidade, ter sido
abandonado e o restante dos militares espalhados, Dr. Clayton Forrester
e Sylvia Van Buren assumem juntos uma missão em comum. Ele
a leva ao seu pequeno avião para escapar antes que as naves marcianas
aniquilem a região. É um passeio frenético, evitando os raios da morte
enquanto voa perigosamente baixo, entre as árvores. Finalmente bate e
cai em uma área campestre. Ambos estão exaustos e correm para se
proteger. [...]
Mas, Clayton Forrester é separado de Sylvia em Los Angeles,
enquanto a multidão fica desesperada, roubando e despojando qualquer
automóvel que passe pelas ruas cheias de pessoas. Sylvia dirigia um
ônibus escolar carregado de pessoas da própria cidade que logo foi
parado e saqueado. [...]
O cientista parte com um caminhão carregado de materiais
científicos criticamente importantes, inclusive com alguns itens da
máquina de morte marciana. Esta parece ser a última esperança para se
alcançar uma solução científica. Porém, a multidão insana, sem dar
atenção aos avisos do cientista, saqueia o caminhão enquanto ele passa
por uma rua de Los Angeles lotada de pessoas. Os seqüestradores levam seu caminhão, deixando o cientista jogado ao chão. [...]
Agora o foco da missão de Clayton é encontrar Sylvia, isto
é, se ela ainda estiver viva. Ele está muito preocupado, pois viu os
restos do ônibus escolar de Sylvia em uma rua de Los Angeles onde o seu caminhão foi seqüestrado. [...]
O jovem cientista sabe que, se quiser encontrar Sylvia,
uma crente devota, sua melhor chance é procurá-la nas igrejas. Ele
encontra três igrejas. Cada cena é comovente. Então, entra numa igreja
grande e vê Sylvia dedicada a atender alguém em um banco. Clayton
Forrester e Sylvia se olham, apressam-se desesperadamente e se abraçam. O
mundo está à beira
de se transformar em ruínas e cada precioso segundo juntos é muito
valorizado. Porém, existem necessidades maiores que as deles.
Fica muito claro que apenas UM maior do que o homem é capaz de salvar a raça humana.
Nas igrejas as orações são apaixonadas e cada vez mais
desesperadas, clamando a Deus por um milagre de libertação. Existe o
medo de que as igrejas cairão como os outros prédios. No entanto, até aquele momento, elas estão em pé, como
se estivessem protegidas por uma mão invisível, enquanto o olhar feroz
dos raios marcianos, através dos vitrais, ilumina o santuário. O
dirigente e a congregação continuam suas súplicas urgentes pedindo algum
milagre de intervenção divina. A humanidade está no limite.
De repente, surge um sentimento diferente – um silêncio
súbito. Os raios mortíferos, que disparavam à distância, não são mais
ouvidos. A multidão tenta abrir caminho até chegar ao lado de fora da
igreja. As luzes coloridas das máquinas dos marcianos tornam-se escuras
enquanto as espaçonaves voam vacilantemente e caem no chão. Através de
um portal, um braço marciano solitário estende-se para o lado de fora da
espaçonave. O Dr. Forrester checa o pulso e descobre que o marciano
está morto.
O cientista famoso então olha para os céus e faz uma
afirmação com temor: “Estávamos todos orando por um milagre...” Nesse
exato momento, a voz narrativa que iniciou o filme continua com a
observação de que as menores criaturas da terra, os micróbios, criados
por Deus, destruíram os invasores. Os marcianos não tinham resistência
aos germes terráqueos.[1]
O que se perdeu pelo caminho:
a) Um linguajar decente e um grande interesse em ajudar a família e ao próximo
Versão de 2005: Ray Ferrier
(Tom Cruise) passando creme de amendoim no pão de sua filha, sem saber
que ela era alérgica ao amendoim.
|
Um linguajar indecente, atrevido e condutas egoístas
fazem parte do cotidiano dos personagens da versão de 2005. Tal Brooke, o
já citado apologista, comenta:
O “Guerra dos Mundos” de 2005, de Steven Spielberg, é um
passeio por um mundo feio, uma América bem mais escura que a do primeiro
filme, no despertar de cinqüenta anos de mudanças sociais. As pessoas
são alienadas, cínicas e não-confiáveis enquanto vivem em uma sopa
eticamente diversificada e caótica. Ao contrário do linguajar digno
praticado no primeiro filme, obscenidades e uma conversa podre aparecem
desde o início.
Tom Cruise, no papel de Ray Ferrier, xinga seu filho
punk Robby (Justin Chatwin), que também tem uma língua suja e assim a
história continua com vários encontros pelas ruas. A linguagem incorpora
um realismo ínfimo. [...]
Ao contrário do cientista agradável e humilde no filme de
1953, o personagem masculino principal representado por Tom Cruise é
arrogante, egoísta, alienado dos seus filhos e da ex-esposa (nem
sabia que a filha tinha alergia, desde quando nasceu, ao creme de
amendoim e tampouco como agir diante da síndrome do pânico da criança), muito parecido com quase todos e pronto para conquistar o mundo.[2] (o texto em itálico foi acréscimo meu).
Não! Não quero fazer aqui uma apologia à suposta “pureza”
da década de 50, pois isso não seria verdadeiro. Até mesmo na versão
original presenciamos atos de selvageria quando a multidão saqueia os
carros que passam pelas ruas. No entanto, o que quero deixar claro é que
aqueles são tempos idos e que a situação atual é bem mais grave e
decepcionante.
Para exemplificar
melhor, permita-me trazer à memória lembranças telúricas de algumas
décadas atrás. A rua recifense, de mais ou menos cem metros de extensão,
em que morava quando era criança ainda é a mesma em que meus pais
residem hoje. Na minha infância era uma rua tranqüila, o piso de barro,
todos os muros das casas eram baixos, os postes de iluminação eram de
madeira roliça e os vizinhos se conheciam pelo nome. Morávamos na casa
de esquina e a segunda casa após a nossa era da mãe de dona Selma,
a única da rua a ter linha telefônica. Foi lá que falei ao telefone
pela primeira vez. Era um daqueles aparelhos pretos, grandes, com um
disco em que colocávamos o indicador e o girávamos (o leitor com mais de
quarenta anos sabe exatamente a que tipo de aparelho estou me
referindo). Hoje é uma relíquia.
Filme original: O caminhão do cientista Clayton Forrester (Gene Barry) saqueado pela multidão.
|
Às noites, as pessoas colocavam cadeiras nas calçadas na
frente da casa, sentavam, jogavam dominó e conversa fora, alguns tocavam
violão, enquanto as meninas bem vestidas brincavam de amarelinha,
pulavam corda e cantavam “Atirei o pau no gato...”. Nós, garotos,
jogávamos bola na rua, andávamos de bicicleta e de patins feitos com
tábuas de madeira e rodas de rolimã e brincávamos de
“trinta-e-um-alerta!”.
Bem, o tempo passa, e como passa. Hoje aquela rua do final da década de 60 é apenas uma representação nostálgica de um tempo que não volta
mais. Atualmente, ela está asfaltada, os muros estão cada vez mais
altos, os portões com travas eletrônicas, quase ninguém mais joga bola
na rua com medo de ser atropelado, as pessoas não conversam mais na
calçada, na verdade pouco se falam, quando muito se cumprimentam e não
há nenhum “louco” que tenha coragem de arriscar a própria vida se
sentando em uma cadeira de balanço nas calçadas após as dezoito horas.
Por quê? Porque o amor esfarelou, as pessoas estão mais frias e
distantes, a iniqüidade prosperou, o mundo ficou mais depravado,
perigoso e violento.
b) O amor à moda antiga entre um homem e uma mulher
Sobre esse tópico, Tal Brooke escreve:
Filme original: O Dr. Clayton Forrester protege Sylvia Van Buren (Ann Robinson).
|
Um pouco distante do local onde seu avião acidentou-se, o
Dr. Clayton Forrester protege Sylvia em seus braços enquanto ela dorme. O
amor deles é espontâneo e não autoconsciente. É um ato de beleza, um
diamante raro no vasto cosmos. Da maneira mais convincente, vemos como essa mais rara flor do amor humano é formada e sabemos que é algo de um valor inestimável.
Esse momento inocente de afeição, quando ele a protege em
seus braços em uma área campestre, foi filmado e graciosamente
preservado muito tempo antes das vozes estridentes surgirem com a guerra
dos sexos, o feminismo radical e grupos gays, transexuais e lésbicas
degradarem o cenário com poder vituperador. [...] Nos filmes atuais a
presença deles é obrigatória.
No entanto, ao contrário do pano de fundo do conflito que vai aumentando de intensidade, vemos convincentemente como
o amor e a afeição se desenvolvem entre esse homem e essa mulher
atraentes, enquanto questões de risco de morte tornam-se inevitáveis.
Observamos o início do amor entre um homem e uma mulher como uma afirmação estimulante acerca do valor humano e da intenção divina.[3]
Filmes, como
a versão da década de 50, que exibem o início de um namoro entre um
homem e uma mulher sem qualquer apelação sensual ou interesses carnais,
honra, bravura, lealdade entre as pessoas da pequena cidade, desarmadas
diante de um inimigo tenebroso vindo do espaço, mostram exemplos muito
distantes da nossa época.
O que dizer do conceito de “amor” no século XXI? Como
foi distorcido o amor bíblico! Hoje temos uma enxurrada de padres
católicos pedófilos, pastores avarentos e adúlteros, uma Inglaterra
(sim, a tão conservadora Grã-Bretanha) tornando-se mais uma nação
européia a legalizar a união civil de homossexuais, como também hindus
indianos vivendo com macacas como se as mesmas fossem as suas supostas
ex-esposas reencarnadas.
Se Jesus não voltar logo, como
será o “amor” daqui a um século? Caminhamos a passos largos para uma
sociedade globalizada onde não existirá amor genuíno, pecado, culpa e
nem a necessidade de arrependimento. Nesse ritmo, em breve, as gerações
vindouras vão presenciar a legalização do matrimônio entre humanos e
animais e entre dois animais irracionais. Misericórdia!
Versão de 2005: A igreja cristã é um dos primeiros prédios a serem destruídos pelos marcianos.
|
c) O respeito ao pastor e a igreja como local de referência e refúgio
Que simbolismo importante e que contraste com a versão da década de 50!
No filme da década de 50, o reverendo local é uma pessoa
querida, corajosa, participativa, prestativa e bastante estimada pela
comunidade. Na versão de Steven Spielberg não existe o personagem do
reverendo.
A película cinematográfica do século passado exibe, em
umas de suas primeiras cenas, uma igreja impávida enquanto o “meteoro”
cai à distância. Na do século XXI revela que um dos primeiros prédios a
serem destruídos é uma igreja cristã.
No filme de Spielberg (2005), o primeiro “meteoro” que
caiu na vizinhança de Nova Jersey foi em um cruzamento de duas ruas. Na
esquina de uma delas encontrava-se uma igreja cristã que foi
inicialmente rachada e partida ao meio pelo terremoto e em seguida teve a
sua torre quebrada e jogada ao chão.
Filme original: Multidão se aglomera dentro das igrejas clamando a Deus por uma intervenção divina.
|
Na película de mais cinqüenta anos atrás, até o final a
igreja é o local de refúgio, onde a população se aconchega a clamar ao
Senhor por uma intervenção milagrosa. É apropriada uma introspecção
essencial acerca da América daquela era. Onde as pessoas iam em busca de
segurança e consolo? Onde elas iam buscar conforto e esperança?
Resposta: na igreja.
No filme de Spielberg não há mais igreja no final.
d) Deus como soberano
A conclusão do filme original deu uma ênfase total à pessoa de Deus como o libertador.
d1) O final do filme de 1952-53:
O cientista Dr. Clayton Forrester, olhando para os céus: “Nós estávamos todos orando por um milagre”.[4]
Filme original: Sylvia, o
pastor e Dr. Clayton Forrester olhando para os céus após o livramento
divino. Os méritos pela vitória são todos de Deus.
|
O narrador: “Os
marcianos não tinham resistência contra as bactérias da nossa
atmosfera. Quando respiraram nosso ar, germes inofensivos a nós os
mataram. O final foi rápido. Por todo o mundo, suas máquinas pararam e
caíram. Depois de todas as tentativas do homem terem falhado, os
marcianos foram destruídos e a humanidade foi salva, pelas menores
coisas que Deus, em Sua sabedoria, pôs nesta terra”.[5]
Enquanto isso, ouvimos um coro cantando ao fundo: “Amém...”.
d2) O final do filme de 2005:
Ninguém fala: “Nós estávamos todos orando por um milagre”. A ênfase da narrativa é na pessoa de Deus e
no próprio homem. Spielberg tem alguma coisa a mais para a voz
narrativa adicionar ao texto original. O homem passa a ter crédito e
direito por ter sobrevivido:
O narrador:
“Desde que os invasores chegaram, respiraram o nosso ar, comeram e
beberam, foram condenados. Eles foram aniquilados, destruídos, após
todas as armas e equipamentos humanos falharem, pela menor criatura que
Deus, em sua sabedoria, pôs na Terra. Pelo preço de um bilhão de mortes,
o homem ganhou sua imunidade e seu direito de sobreviver entre os
infinitos organismos do planeta. E esse direito é nosso contra todos os
desafios, porque os homens não vivem nem morrem em vão”.[6]
Versão de 2005: Apesar do
final comovente onde Ray abraça seu filho, a ênfase da narrativa é que
os méritos pela vitória sobre os marcianos não são apenas de Deus.
|
A cura da depravação
Tal Brooke conclui sua análise com um tom melancólico:
Sem dúvida, que a ode real na versão do filme de 2005 é
para o humanismo e não para Deus. Não estou certo que tipo de mundo os
sobreviventes de Spielberg vão reconstruir. Certamente não queria estar
confinado dentro desse mundo.
Também é verdade que a segunda versão de “Guerra dos
Mundos” é um arquivo da América dos dias atuais, da mesma forma que o
primeiro filme registrou a América do início da década de 50. O triste é
comparar os dois mundos entre esses dois filmes.
É uma jornada
descendente e a ruína americana nem sequer precisou dos marcianos”.[7]
Sem dúvida, a depravação humana, seja na América, no
Brasil ou em qualquer outra latitude, continua numa “boa”. Esse quadro
vem se agravando nos últimos cinqüenta anos e ainda vai piorar (2
Timóteo 3.1-9). Basta ler os jornais ou assistir aos noticiários para
constatarmos que estamos numa depravação total. Porém, Deus não está com
Suas mãos encolhidas, elas estão estendidas e prontas para nos resgatar
desse lamaçal.
O ser humano é totalmente depravado desde quando nasceu. Como
uma carga genética espiritual, o pecado original de Adão nos tem sido
passado através dos séculos e todos nós somos culpáveis. Qualquer
tentativa de sarar o depravado sem modificar a sua natureza pecaminosa é
inútil. Só quando o homem recebe uma nova natureza, que só Cristo dá,
ele pode alcançar a cura.
- “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, pela graça sois salvos” (Efésios 2.4-5).
- “Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado” (Romanos 4.7-8).
- “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.23).
- “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Coríntios 5.17).
Olhem como
o tempo voa. As horas passam rapidamente. Estou ficando mais velho a
cada segundo e a humanidade prossegue no seu rapel espiritual. “A iniqüidade se multiplicará” (Mateus 24.12).
- Para aqueles ansiosos: “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mateus 6.34).
- Para aqueles que ainda agem depravadamente, recusando a graça bendita de Jesus: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Galátas 6.7). Converta-se a Ele hoje, enquanto ainda é tempo (Hebreus 3.13). “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Isaías 55.7).
Ah! Como o tempo passa, o tempo voa.
Ao Deus, Senhor de todos os
tempos, toda a glória, honra e domínio pelos séculos dos séculos, amém!
(Dr. Samuel Fernandes Magalhães Costa - http://www.chamada.com.br)
Bibliografia:
- Artigo “War of The Worlds – 50 years apart”, por Tal Brooke. SCP Newsletter. Berkeley, Califórnia, summer 2005, volume 29:4. páginas 4-7.
- Id, página 8.
- Ibid, páginas 4-5.
- DVD do filme “Guerra dos Mundos”, baseado no livro de H.G. Wells, 1952, renovado em 1980 pela Paramount Pictures. Cenas finais.
- Id.
- DVD do filme “Guerra dos Mundos”, um filme de Steven Spielberg, 2005, Paramount Pictures e Dreamworks Pictures. Cenas finais.
- Artigo “War of The Worlds – 50 years apart”, por Tal Brooke. SCP Newsletter. Página 16.
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Samuel F. M. Costa É médico gastroenterologista com parte de sua formação acadêmica nos Estados Unidos. Dr. Samuel Costa é um pesquisador minucioso e há muito tempo se dedica à analise e estudos de idéias controvertidas quanto à fé cristã. Em 1996, lançamos sua primeira obra literária: “A Nova Era: Um Passo Para a Manifestação do ‘Maitreya’ e da Prostituta Babilônia”. Aprofundando-se ainda mais no estudo do esoterismo, escreveu “Os Anos Obscuros da Mocidade de Jesus Cristo”. Samuel Costa reside com sua esposa e filhos na cidade de Recife, no nordeste do Brasil. |
domingo, 9 de dezembro de 2012
Como não ler a Bíblia para tua destruição!
Em sua carta aos Filipenses Paulo faz uma declaração incrível: “Posso todas as coisas... posso tudo...” – O que Paulo quer dizer com isso?
Quando diz isso é claro que ele não está dizendo, por exemplo, que ele pode voar como um pássaro, viver sob a água como um peixe... Ele não está dizendo que pode ir até o cemitério da cidade e levantar todos os mortos, que pode ir até a lua... Não está dizendo que pode viver sem o descanso necessário, ou que pode ganhar o Império Romano para Cristo, não está dizendo que pode pintar como Leonardo da Vinci, compor como Mozart, esculpir como Rodin, cantar como Freddie Mercury, correr como Isaim bolt, escrever como Shakespeare, teorizar como Newton...
O que Paulo está dizendo não está relacionado a nada disso. Ele não está ensinando a “reivindicar” algo a Deus. Usando textos assim líderes manipulam membros da igreja. Não é o pensamento do tipo – “Você pode realizar isso, você pode tudo em Deus... podemos todas as coisas... é o que Deus disse...” – Isso é horrível, degradante, manipulador e engano fatal.
Paulo não podia fazer tudo o que ele queria. Ele estava preso ao escrever esta carta. Ele não podia se libertar da prisão. Não podia arrebentar as cadeias em seus pulsos e tornozelos, evitar que os chicotes marcassem suas costas... Ele não podia ordenar que o anjo que tirou Pedro da cadeia o tirasse também. Ele não podia remover o espinho em sua carne. Ele que sofreu naufrágios, não podia simplesmente sair andando sobre as águas. Não podia ordenar o Mediterrâneo que se acalmasse. Ele não podia com um gesto calar a boca dos falsos líderes hereges gálatas que estavam destruindo aquela igreja, ele não podia ordenar que o Império Romano não o condenasse a morte... Ele não podia muitas coisas e o texto ficaria longo se mencionássemos tudo.
Este texto então, é um bom exemplo de como a Bíblia deve ser lida e de como a Bíblia não deve ser lida. Não se pode pegar uma única promessa em toda Bíblia, uma única declaração, ou testemunho de um apóstolo... fora do seu contexto. O entendimento de algo tão simples já faria uma diferença gigantesca em nossa geração cheia de heresias e enganos.
O que Paulo estava ensinando? Seu contexto, o lugar onde Paulo põe esta verdade, é quando ele está falando de abundância e também de momentos de necessidades, de estar bem alimentado ou estar passando fome... Paulo tinha aprendido a se contentar com o que Deus queria para sua vida. “Eu posso viver esta situação”, Paulo está dizendo. “Eu não vou ficar amargo... não vou ficar paralisado... foi continuar proclamando a glória de Cristo nesta situação...” Tudo que Deus atribuiu a ele, Paulo pode responder de uma maneira em que Deus fosse honrado.
Deus é surpreendente, Ele pode e tem o prazer de promover o evangelho e sua glória, seja pela vida curta de Estevão ou pela longa vida do apóstolo João. Sua vontade será feita. Paulo então está dizendo: “Eu aprendi o segredo de enfrentar muita abundância ou severa fome, pois posso todas as coisas naquele que me fortalece”. Ele está dizendo que nessas situações ele era capacitado a viver em contentamento como um filho de Deus, em paz e comunhão com Deus, realizando o Seu propósito, em todas as circunstâncias em que Deus se agradasse em colocá-lo. Quaisquer que fossem as tentações, provações, pressões sobre seu frágil corpo ou mente, em meio a qualquer aflição, ou sucesso e prosperidade, com todas as tentações que isso possa trazer... ou acorrentado numa cela úmida, ou se estava em um navio afundando no Mediterrâneo... que por meio de Cristo, ele poderia realizar o propósito de Deus em todas essas circunstâncias, mostrando como um filho de Deus enfrenta todas essas coisas sem se desviar do único propósito da existência que é em tudo glorificar a Deus.
“Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.” - Filipenses 4:12-13
terça-feira, 27 de novembro de 2012
ELEMENTOS ESSENCIAIS PARA O VERDADEIRO CRESCIMENTO DE UMA IGREJA
“Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo, graça e paz a vós outros. Damos, sempre, graças a Deus por todos vós, mencionando-vos em nossas orações e, sem cessar, recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição, porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós.” (I Tessalonicenses 1.1-5)
Ao escrever esta carta o apóstolo Paulo estava em Corinto. Uma cidade que influenciava o mundo por sua libertinagem e cultos a ídolos. Tessalônica (atual Salônica, segunda maior cidade da Grécia) era capital da Macedônia e era uma província do império Romano. Paulo escreveu esta carta com o propósito de orientar estes irmãos sobre a segunda vinda de Cristo. E Paulo elogia aqueles irmãos pelo progresso na fé. Eles eram crentes modelos, mesmo sendo uma igreja nova. Os crentes de Tessalônica tornaram-se um modelo para todos os crentes da região (vs. 7). Eles eram tão bem conceituados que Paulo chega a dizer que não precisavam de coisa alguma a mais (vs. 8). Fruto do trabalho missionário de Paulo (At 17.1-8), esta igreja estava crescendo porque havia alguns “elementos” que faziam a diferença no seu meio.
Muitas linhas de pensamentos prometem crescimento da igreja: Por exemplo opragmatismo – Os fins justificam os meios. Segundo esse pensamento todo método humano é valido para fazer uma igreja crescer. Mas o que a Bíblia diz?
Para crescermos verdadeiramente, não apenas incharmos, devemos ter alguns elementos genuinamente bíblicos! Paulo, ao escrever esta carta nos deixa isso bem claro. Segundo o texto o primeiro elemento que faz uma igreja crescer é:
O poder de Deus (v.1-5a)
Paulo faz referência a Silvano e Timóteo (v.1) – Eram os cooperadores de Paulo, e oravam juntos com Paulo pela igreja de Tessalônica (v.2). Eles levariam a carta à igreja. Eram homens dedicados, que viviam confiantes no poder de Deus. Silvano é o mesmo Silas, que acompanhou Paulo em sua segunda viagem missionária: “Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, enviá-los, juntamente com Paulo e Barnabé, a Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos,”(At 15.22).E Timóteo dispensa apresentações. Era um jovem que era “fiel no Senhor” (cf 1Co 4.17; cf 1 e 2Timóteo).
O poder de Deus é o elemento que gera crescimento para a igreja (v.2-5a) –Paulo diz que sempre dava “graça a Deus” pela vida daquela igreja (v.2) e que, em suas orações, “mencionava (nomeava) a igreja”(v.2b). Estas orações não eram apenas pedidos, mas ações de graça, louvor e momentos de adoração. Eles oravam juntos e individualmente pela igreja. Paulo tinha convicção do chamado daquela igreja: “vossa eleição”(v.4). Porque sabia o que, de fato, o Evangelho de Cristo tinha feito naquela igreja (v.5a) – A igreja estava crescendo porque o Evangelho estava na vida diária daquela igreja (cf v.3). Eles estavam praticando aquilo que o Evangelho ensina!
Não era a persuasão do apóstolo que havia covencido aqueles irmãos, mas o poder de Deus. Paulo diz: “porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra…”(v.5a), e, em Coríntios afirma: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder,”(1Co 2.4). A palavra “poder” (Dunamys), no contexto, se refere ao poder de Deus “milagre”, ação sobrenatural. Aquela igreja, não era apenas convencida dos seus pecados, era convertida. E isso não ocorreu por eloquência, mas por meio da pregação do Evangelho transformador de Cristo.
O crescimento da igreja não depende de nossas forças, mas da Palavra de Deus. Alguns pensam que conseguem convencer pessoas a seguir a Cristo mostrando o que Cristo fez em sua vida. Não quer dizer que isso seja errado, e alias pode até ser um instrumento usado por Deus. Mas o que muda a vida de alguém é o poder de Deus que vem por meio do Evangelho: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação…”(Rm 1.16).
Segundo o texto base outro elemento que faz uma igreja crescer é:
O Espírito Santo (v.5b)
A promessa de Cristo: “… recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”(At 1.8). Deus capacitou a igreja com seu Espírito. A igreja primitiva foi testemunha dos milagres que acompanharam a igreja (cf Lc 1.17, 35;4.14; At 10.38).
Embora houvesse grandes milagres, por meio de Jesus e seus discípulos (Pedro At.3.6; Paulo Atos 20.9, e outros), estes não foram dados para convencer o homem de seus pecados. Os milagres tinham seguintes objetivos: A glória de Deus e testificar o profeta como enviado do Senhor. O Espírito Santo habita naquele que é crente, somos o “… santuário do Espírito Santo” (1Co 6.19). Assim podemos entender o motivo de haver poder na mensagem de Paulo e de seus colegas, pois quando ele falava, Deus é que estava falando por intermédio deles.
Qual o papel do Espírito? – Na salvação do homem, Ele é quem regenera (cf Jo 3.5;Tt 3.5). Anthony Hoekema diz que: “O papel do Espírito Santo no processo da Salvação é fazer-nos um em Cristo”(livro Salvos pela Graça). Ele nos convence do erro, Jesus disse aos seus discípulos que: “… Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade;” (Jo 16.13). Portanto, o papel do Espírito Santo não é realizar milagres para convencer, mas transformar corações!
Muitos movimentos “evangélicos” buscam dons espirituais. E nessa busca esquecem de que quem muda o coração de alguém, não somos nós, mas o Espírito de Deus operando de forma perfeita. Não são os “milagres” que mudam. Nós devemos pregar o evangelho, e o Espírito de Deus vai convencer os pecadores de seus erros. E para isso é preciso ter comunhão com Espírito; andar com ele (Gl 5.16); encher o coração dEle (Ef 5.18). Assim, nossa mensagem terá efeito!
Segundo o texto, o terceiro e último elemento que faz uma igreja crescer é:
A certeza da ação de Deus (v.5c)
Convicção da verdade anunciada – “Convicção”, ou “plenasegurança”(plêrophoria) – Na verdade, era a presença do Espírito Santo que dava esta convicção. Paulo tinha certeza de que Deus estava operando através dele. Ele sabia de que pregava a verdade e não invenção: “… se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.”(Gl 1.9).
Convicção da ação de Deus – Paulo sabia que Deus estava abençoando aquela igreja através de sua vida, do seu ministério. Ele tinha convicção de seu chamado: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus”(Rm 1.1). Ele sabia que por intermédio dele e de seus cooperadores (Silas, ou Silvano e Timóteo), Deus estava fazendo aquela igreja se fortalecer e crescer.
Convicção nos resultados - É claro que o crescimento vem de Deus (1Co 3.6). Mas onde há a ação do Senhor, ali haverá resultados. Deus trará o resultado: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.”(Fp 1.6)
Se queremos crescer, é preciso termos convicção de que somos instrumentos de Deus. Que ele vai nos usar para levarmos a Palavra de Salvação às pessoas. É preciso ter convicção de que pregamos a verdade, o Evangelho. Para Paulo, o Evangelho não era a igreja, nem movimento religioso ou espiritual, nem movimento apostólico, não são os membros, nem é qualquer movimento que se queira, mas é Jesus. Ele sabia que Deus traria resultados. Precisamos ter convicção plena na ação de Deus e nos resultados que Ele dará.
Elementos essenciais para o verdadeiro crescimento de uma igreja – A igreja cresce através do Poder de Deus (v. 1-5a) – não por nossa força, Deus é quem traz o crescimento. A igreja cresce, por causa do Espírito Santo (v.5b) – “Nós podemos convencer o homem de que ele moralmente é imperfeito, mas não podemos convencê-lo de que está perdido. Isto é tarefa do Espírito Santo, somente o Espírito pode convencer o homem de que ele está perdido e que precisa de um salvador, ou seja, do evangelho, de Jesus Cristo!”(Francis Shaffer). E, por fim, para igreja crescer verdadeiramente é preciso ter: A certeza da ação de Deus (v.5c) – Na verdade anunciamos, na ação de Deus e nos resultados.
1- O poder é de Deus e sua Palavra – Não posso me vangloriar ou chamar a glória pra mim, só porque alguém creu por meu intermédio.
2- Sou instrumento de Deus para o crescimento da igreja – Algumas pessoas pensam que somente o pastor é responsável para fazer a igreja crescer. Mas não é assim na Bíblia (cf At 2). A igreja cresce num corpo, porque somos morada do Espírito Santo.
3- Eu tenho que confiar naquilo que anuncio – Ter convicção de que quando eu pregar, Deus vai agir.
Que ele nos faça instrumentos poderosos em Suas mãos para levar a mensagem de salvação ao mundo. Amém!
Por: Rev. Ronaldo P Mendes
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